Programa de coleta biométrica · 4 a 7 de setembro de 2026

80 HORAS
ININTERRUPTAS
INSTRUMENTADAS

Um ambiente educacional de 80 horas contínuas, integralmente monitorado, com um sujeito submetido a privação de sono prolongada sob esforço cognitivo, vocal e postural sustentado.

Esta página descreve o que será medido durante a tentativa de recorde mundial da Aula Mais Longa da História, com que instrumentos, em que frequência, e quais correlações a pesquisa pretende investigar depois. O objetivo da coleta não é operacional: é produzir uma série temporal densa, consentida e auditável, destinada a estudos científicos posteriores.

Por que instrumentar

Um cenário raro e provavelmente irrepetível

Estudos de privação de sono em laboratório raramente ultrapassam 36 a 48 horas, e quase nunca ocorrem com o sujeito executando uma tarefa cognitiva complexa, pública e de alta exigência comunicativa. Aqui, o mesmo indivíduo permanece 80 horas em atividade contínua de ensino, falando quase o tempo todo, sentado e em pé, sob câmera aberta, com uma turma presencial dependendo do seu desempenho.

O monitoramento existe primeiro por segurança. Mas a mesma instrumentação que protege produz, como subproduto, um conjunto de dados que não se consegue montar em condições normais: alta densidade temporal, múltiplos domínios medidos em paralelo e um baseline aferido meses antes.

Duração

Além da janela de laboratório

As 80 horas atravessam três madrugadas completas. A partir da hora 48 o registro entra em território pouco descrito: a maior parte da literatura de privação total de sono se encerra antes desse ponto.

Contexto

Tarefa real, não tarefa de bancada

O sujeito não está apenas acordado: está ensinando. Cada hora tem objetivo de aprendizagem, atividade prática e aferição de desempenho da turma, o que dá uma medida externa e objetiva do efeito da fadiga sobre a tarefa.

Perfil

Um sujeito metabolicamente atípico

O professor tem diabetes mellitus tipo 2 em tratamento medicamentoso. A curva de degradação cognitiva e a resposta glicêmica de um sujeito nessa condição, sob 80 horas de vigília, praticamente não existe descrita.

Baseline

Referência aferida antes

Indicadores basais medidos com meses de antecedência e simulações progressivas de vigília de 24 e 36 horas permitem comparar cada ponto da série ao próprio sujeito, e não a uma média populacional.

Coorte

Um grupo, não só um indivíduo

Além do professor, há uma coorte presencial em estações individuais, com controle nominal de entrada e saída e desempenho medido hora a hora, permitindo comparar o sujeito monitorado com quem atravessa a mesma madrugada.

Limite

A pesquisa observa, não intervém

Nenhuma linha de investigação pode alterar o desenho pedagógico, comprometer a segurança ou interferir na conformidade da tentativa. Questões que exigiriam manipulação experimental ficam registradas para estudos futuros.

Matriz de coleta

O que será medido, com que frequência e por qual método

A tabela consolida os indicadores previstos no protocolo de saúde. As linhas destacadas são as de captação contínua: as que produzem série temporal densa em vez de pontos isolados, e das quais depende quase toda a análise de correlação descrita adiante.

Indicadores monitorados, categoria, frequência e método de coleta
IndicadorCategoriaFrequênciaMétodo
Frequência cardíaca (FC)CardiovascularContínuoVestível de pulso + cinta cardíacacaptação contínua
Variabilidade da FC (HRV)CardiovascularContínuo, com aferição estruturada a cada 6 hVestível de pulso e de dedocaptação contínua
Saturação de oxigênio (SpO₂)CardiovascularA cada 6 h e amostragem contínuaVestível + oxímetro de dedocaptação contínua
Temperatura periféricaClínicoContínuo · registro a cada 12 hVestível de dedo + termômetro digitalcaptação contínua
Actigrafia e movimentoMotorContínuoAcelerometria do vestívelcaptação contínua
Detecção de sono e microssonoNeurológicoContínuoVestível + marcação manual de eventoscaptação contínua
Índice de estresse autonômicoCardiovascularContínuoDerivado de HRV pelo vestívelcaptação contínua
Pressão arterialCardiovascularA cada 6 h até 48 h; depois a cada 3 hEsfigmomanômetro digital
GlicemiaMetabólicoContínuoSensor de monitoramento contínuo (CGM)captação contínua
Peso corporalMetabólicoA cada 24 hBalança de bioimpedância
Edema de membros inferioresCardiovascularA cada 12 hAvaliação visual estruturada
KSS · Karolinska Sleepiness ScaleNeurológicoA cada 3 hQuestionário
PVT · Psychomotor Vigilance TestNeurológicoA cada 3 hAplicativo em tablet dedicado
Stroop TestNeurológicoA cada 6 h até 48 hTeste cognitivo
Trail Making Test A/BNeurológicoA cada 6 h até 48 hTeste cognitivo
Escala de fadiga (0–10)GeralA cada 3 hAutoavaliação
Humor, motivação e estresse (0–10)PsicológicoA cada 6 hCheck-in cognitivo-comportamental
Dor cervical, lombar e de MMII (0–10)MusculoesqueléticoA cada 6 hAutoavaliação
Rouquidão e esforço vocalVocalA cada 6 hAvaliação perceptiva + medidas acústicas
Ressecamento e fadiga ocularVisualA cada 6 hAvaliação subjetiva + registro de pausas 20-20-20

Sete dos vinte indicadores dependem de captação contínua por sensor vestível. Os demais são aferições pontuais, aplicadas nas janelas de 3, 6, 12 ou 24 horas.

Instrumentação vestível

O que precisa vir do pulso e do dedo

A diferença entre um registro clínico de segurança e um conjunto de dados de pesquisa está na densidade da amostragem. Aferições a cada seis horas descrevem tendência; sensores vestíveis descrevem trajetória, e é a trajetória que permite responder se um marcador antecede o outro.

Frequência cardíaca e variabilidade contínuas

Série ininterrupta de FC e de HRV ao longo das 80 horas, com resolução suficiente para observar a resposta às microdoses de cafeína e aos blocos de conteúdo de maior complexidade. A HRV é o principal candidato a marcador precoce de fadiga do estudo.

Amostragem noturna sem interrupção da tarefa

O sujeito não pode parar para ser medido: a aula é contínua e a interrupção encerraria a tentativa. Toda medição que exija atenção ativa compete com a tarefa; a captação passiva é a única que roda nas 80 horas inteiras.

Saturação, temperatura periférica e actigrafia

SpO₂ e temperatura periférica ao longo da vigília prolongada e em posição sentada mantida; acelerometria para descrever o padrão de movimentação espontânea e a aderência ao protocolo de alternância postural.

Detecção de sono, cochilo e microssono

As três pausas programadas de 60 minutos são os únicos momentos de repouso da tentativa. Saber o que de fato aconteceu em cada uma, e se houve sono efetivo, é condição para medir a magnitude da recuperação cognitiva que se segue.

Dois pontos de medida: pulso e dedo

Registrar o mesmo sinal em dois pontos anatômicos cria uma segunda camada de análise: a concordância entre dispositivos sob 80 horas de uso ininterrupto, com suor, digitação constante e variação térmica ambiente. É uma questão de pesquisa por si só, e não existe descrita nessa duração.

Dados exportáveis, com carimbo de tempo

Para cruzar com o log da aula, os questionários e os testes cognitivos, a série precisa sair do dispositivo com granularidade e horário preservados. Sem exportação alinhada ao relógio oficial da tentativa, o dado não entra na análise.

Autonomia e conforto são requisito metodológico

Uma lacuna na série temporal não é um detalhe operacional: é a perda do trecho que se pretendia estudar. A janela crítica: as horas 48 a 80, quando a degradação cognitiva se acentua, são justamente as mais distantes de qualquer recarga. O mesmo vale para o conforto: qualquer dispositivo que precise ser removido por incômodo durante a tarefa deixa de registrar exatamente no ponto de maior interesse.

Estrutura de registro

Os quatro painéis de coleta

Os painéis abaixo são a estrutura de registro já definida no protocolo. Os valores exibidos são simulados: projeções de referência derivadas da literatura sobre privação de sono, usadas para validar o formato da coleta. Serão substituídos pelos valores reais medidos durante o desafio.

PAINEL 1 · RESPOSTA FISIOLÓGICA

Parâmetros cardiovasculares, térmicos e ponderais ao longo das 80 horas.

Dados simulados · estrutura de coleta
HoraFC bpmHRV msPA mmHgSpO₂ %Temp. °CPeso kgObservação
06248118/789836,480,0Baseline inicial
66546120/809836,5Sem alterações relevantes
126844122/809836,6Resposta fisiológica esperada
247240124/829736,779,8Privação de sono inicial
367835128/849736,8Aumento discreto do estresse fisiológico
488430132/869737,079,5Fadiga moderada
609224136/889637,1Monitoramento intensificado
729820140/909637,279,2Alta carga fisiológica
808828132/849736,979,0Recuperação parcial após descanso final
PAINEL 2 · SONO, FADIGA E DESEMPENHO COGNITIVO

Sonolência subjetiva, vigilância psicomotora, controle inibitório e flexibilidade cognitiva.

Dados simulados · estrutura de coleta
HoraKSS 1–9PVT tempo msPVT lapsos nStroop sStroop erros nTrail A sTrail B sObservação
0224003502862Baseline inicial
6325503703066Sem alteração relevante
12428514113474Fadiga leve
24534024824292Lentificação discreta
366420458455125Fadiga moderada
487520772668160Alto risco cognitivo
60868012951092220Requer avaliação neurológica
7287401511013105260Manter sob observação
807610988880190Encerramento próximo
PAINEL 3 · SAÚDE PSICOLÓGICA E FONOAUDIOLÓGICA

Escalas de 0 a 10 do check-in cognitivo-comportamental e medidas acústicas da voz (dB SPL, jitter e shimmer).

Dados simulados · estrutura de coleta
HoraEstresseHumorFocoIrritab.AutoeficáciaEsforço vocalFadiga vocalGargantaQual. vocal 0–4dB | jitter | shimmer
028818211468 | 0,3 | 1,8
637727222469 | 0,3 | 1,9
1246636333370 | 0,4 | 2,1
2455545444371 | 0,4 | 2,2
3665454555272 | 0,5 | 2,4
4874464666273 | 0,6 | 2,6
6074363666274 | 0,6 | 2,7
7265454555273 | 0,5 | 2,5
8046546444371 | 0,4 | 2,2
PAINEL 4 · SAÚDE OFTALMOLÓGICA E MOTORA

Fadiga visual, aderência à regra 20-20-20 e carga musculoesquelética em permanência prolongada.

Dados simulados · estrutura de coleta
HoraFadiga ocularRessecamentoArdênciaVisão borradaPausas 20-20-20 /hDor cervicalDor lombarDor MMIIRigidezMobilidadeObservação
01110611019
62211521129
123321432238Leve tensão
244432443347Tensão muscular
365542354456Desconforto leve
486653365565Rigidez moderada
607654276664Fadiga muscular
727764276674Desconforto alto
806653365555Recuperação parcial

Nas escalas de 0 a 10, salvo indicação em contrário, 0 é a melhor condição e 10 a pior. Mobilidade funcional é a exceção: 10 é a melhor condição.

Séries temporais

As curvas que a coleta pretende desenhar

Nove indicadores dos três domínios, na mesma linha do tempo de 80 horas, com as três pausas programadas de 60 minutos marcadas. É neste formato que a análise acontece: não em um número isolado, mas na forma da curva e no que ela faz antes e depois de cada pausa.

Visão consolidada · 80 horas

Cada painel tem escala própria. A faixa dourada marca as pausas programadas de 60 minutos, nas horas 39, 61 e 74.

Fisiológico · captação contínua Neurocognitivo · teste aplicado Percepção · autorrelato Pausa de 60 min
FC médiabpm · ↓ melhor
98620244880Hora 0: 62 bpmHora 6: 65 bpmHora 12: 68 bpmHora 24: 72 bpmHora 36: 78 bpmHora 48: 84 bpmHora 60: 92 bpmHora 72: 98 bpmHora 80: 88 bpm88
HRVms · ↑ melhor
48200244880Hora 0: 48 msHora 6: 46 msHora 12: 44 msHora 24: 40 msHora 36: 35 msHora 48: 30 msHora 60: 24 msHora 72: 20 msHora 80: 28 ms28
SpO₂% · ↑ melhor
98960244880Hora 0: 98 %Hora 6: 98 %Hora 12: 98 %Hora 24: 97 %Hora 36: 97 %Hora 48: 97 %Hora 60: 96 %Hora 72: 96 %Hora 80: 97 %97
KSS · sonolência1–9 · ↓ melhor
820244880Hora 0: 2 1–9Hora 6: 3 1–9Hora 12: 4 1–9Hora 24: 5 1–9Hora 36: 6 1–9Hora 48: 7 1–9Hora 60: 8 1–9Hora 72: 8 1–9Hora 80: 7 1–97
PVT · tempo médioms · ↓ melhor
7402400244880Hora 0: 240 msHora 6: 255 msHora 12: 285 msHora 24: 340 msHora 36: 420 msHora 48: 520 msHora 60: 680 msHora 72: 740 msHora 80: 610 ms610
PVT · lapsosn · ↓ melhor
1500244880Hora 0: 0 nHora 6: 0 nHora 12: 1 nHora 24: 2 nHora 36: 4 nHora 48: 7 nHora 60: 12 nHora 72: 15 nHora 80: 9 n9
Estresse percebido0–10 · ↓ melhor
720244880Hora 0: 2 0–10Hora 6: 3 0–10Hora 12: 4 0–10Hora 24: 5 0–10Hora 36: 6 0–10Hora 48: 7 0–10Hora 60: 7 0–10Hora 72: 6 0–10Hora 80: 4 0–104
Fadiga vocal0–10 · ↓ melhor
610244880Hora 0: 1 0–10Hora 6: 2 0–10Hora 12: 3 0–10Hora 24: 4 0–10Hora 36: 5 0–10Hora 48: 6 0–10Hora 60: 6 0–10Hora 72: 5 0–10Hora 80: 4 0–104
Fadiga ocular0–10 · ↓ melhor
710244880Hora 0: 1 0–10Hora 6: 2 0–10Hora 12: 3 0–10Hora 24: 4 0–10Hora 36: 5 0–10Hora 48: 6 0–10Hora 60: 7 0–10Hora 72: 7 0–10Hora 80: 6 0–106
Hora de aula · 0 a 80

Valores simulados. A tabela completa de cada painel está na seção anterior.

O que se busca

As correlações que a pesquisa pretende investigar

Medir cada indicador isoladamente descreve um corpo cansando. O valor científico está no cruzamento: qual sinal se move primeiro, qual apenas acompanha, e qual deixa de acompanhar. Abaixo, os pares que estruturam o programa de pesquisa.

A HRV antecede a queda de atenção?

Se a variabilidade da frequência cardíaca cai antes de os lapsos aparecerem, ela funciona como indicador precoce de fadiga, e passa a ser um sinal acionável, não apenas descritivo.

0hHora 0: HRV (ms) 48, Lapsos no PVT (n) 06hHora 6: HRV (ms) 46, Lapsos no PVT (n) 012hHora 12: HRV (ms) 44, Lapsos no PVT (n) 124hHora 24: HRV (ms) 40, Lapsos no PVT (n) 236hHora 36: HRV (ms) 35, Lapsos no PVT (n) 448hHora 48: HRV (ms) 30, Lapsos no PVT (n) 760hHora 60: HRV (ms) 24, Lapsos no PVT (n) 1272hHora 72: HRV (ms) 20, Lapsos no PVT (n) 1580hHora 80: HRV (ms) 28, Lapsos no PVT (n) 91502048HRV (ms)Lapsos no PVT (n)

A percepção acompanha a capacidade?

Existe um ponto em que a sonolência subjetiva satura enquanto o desempenho objetivo continua se degradando. Identificar essa dissociação é identificar o momento em que a autoavaliação deixa de ser confiável.

0hHora 0: KSS · sonolência subjetiva (1–9) 2, PVT · tempo de reação (ms) 2406hHora 6: KSS · sonolência subjetiva (1–9) 3, PVT · tempo de reação (ms) 25512hHora 12: KSS · sonolência subjetiva (1–9) 4, PVT · tempo de reação (ms) 28524hHora 24: KSS · sonolência subjetiva (1–9) 5, PVT · tempo de reação (ms) 34036hHora 36: KSS · sonolência subjetiva (1–9) 6, PVT · tempo de reação (ms) 42048hHora 48: KSS · sonolência subjetiva (1–9) 7, PVT · tempo de reação (ms) 52060hHora 60: KSS · sonolência subjetiva (1–9) 8, PVT · tempo de reação (ms) 68072hHora 72: KSS · sonolência subjetiva (1–9) 8, PVT · tempo de reação (ms) 74080hHora 80: KSS · sonolência subjetiva (1–9) 7, PVT · tempo de reação (ms) 61074024028KSS · sonolência subjetiva (1–9)PVT · tempo de reação (ms)

Cada ponto é uma janela de aferição, rotulada pela hora de aula. A linha tracejada liga os pontos na ordem do tempo. Dados simulados.

HRV×PVT

Queda autonômica como marcador precoce de degradação cognitiva

A hipótese central do bloco cardiovascular: verificar se a queda da variabilidade da frequência cardíaca antecede, e em quanto tempo, a piora do tempo de reação e o aumento de lapsos no teste de vigilância psicomotora.

KSS×PVT

A partir de que ponto a percepção se descola do desempenho

A privação de sono degrada justamente a capacidade de se autoavaliar. Determinar a hora em que a escala subjetiva deixa de acompanhar a medida objetiva tem consequência prática direta sobre qualquer protocolo de segurança baseado em autorrelato.

Glicemia×Atenção

Excursões glicêmicas e lapsos de atenção

Com monitoramento contínuo de glicemia em um sujeito com diabetes tipo 2 sob protocolo nutricional fracionado, é possível verificar se as excursões glicêmicas se correlacionam temporalmente com quedas de desempenho, e se o fracionamento reduz de fato a sonolência pós-prandial.

Cafeína×FC · HRV · PA

Efeito de microdoses sob privação progressiva

Cinco administrações de 80 a 100 mg, com horário registrado, contra a resposta cardiovascular nas duas horas seguintes a cada uma. A pergunta é se o efeito se mantém, se atenua ou se inverte à medida que o débito de sono se acumula.

Pausa×Recuperação

Quanto cada pausa de 60 minutos devolve, e por quanto tempo

Testes aplicados imediatamente antes e depois de cada uma das três pausas longas, para medir a magnitude da recuperação e verificar se ela decresce a cada repetição. Aqui a detecção de sono efetivo pelo vestível é o que distingue uma pausa de repouso real de uma pausa apenas administrativa.

Circadiano×Débito

O ritmo circadiano sobreposto à curva de privação

A série é ancorada no horário do relógio, e não apenas na hora de aula. Isso permite separar o efeito do débito acumulado do efeito da hora do dia, e verificar se há recuperação parcial nos períodos diurnos apesar do acúmulo.

Voz×Fadiga

Marcadores acústicos como sinal de fadiga cognitiva

Jitter, shimmer e intensidade a cada seis horas, mais taxa de fala, densidade lexical e frequência de pausas extraídas da transcrição do áudio integral. A questão é se a voz denuncia a fadiga antes de o próprio sujeito percebê-la.

Professor×Turma

O estado do sujeito monitorado contra o desempenho de quem assiste

Cada hora de aula termina com cinco questões objetivas respondidas individualmente pela turma. São 385 medições de desempenho ancoradas na mesma linha do tempo: uma medida externa do efeito da fadiga do professor sobre a tarefa que ele executa.

Anel×Pulso

Concordância entre dois pontos de medida em uso extremo

O mesmo sinal, registrado simultaneamente no dedo e no pulso, por 80 horas ininterruptas, com digitação constante, variação térmica e sudorese. A convergência e a divergência entre as duas séries são, elas próprias, um resultado, e não há registro dessa comparação nessa duração.

Postura×Circulação

Carga musculoesquelética e resposta circulatória em permanência prolongada

Escores de dor cervical, lombar e de membros inferiores a cada seis horas, cruzados com o registro de tempo em cada posição, com a avaliação de edema a cada doze horas e com a actigrafia, para avaliar a eficácia do protocolo de alternância postural.

Governança

Dado sensível exige desenho, não improviso

A coleta descrita aqui envolve dados de saúde de um titular identificado, imagem e voz em transmissão aberta e desempenho individual de participantes. O tratamento foi desenhado antes da coleta, e não depois dela.

01

Consentimento em camadas

Participação, imagem, avaliação e pesquisa são consentidas separadamente. Aceitar uma não implica aceitar as demais.

02

Mínimo necessário

Se o dado agregado resolve, não se coleta identificação nominal. Se a anonimização é possível, ela é o caminho preferencial. Bases operacionais e bases de pesquisa permanecem separadas.

03

Fluxo ético próprio

Pesquisa com seres humanos é tratada como frente autônoma, com protocolo, responsáveis e análise ética anteriores à coleta. O evento pode existir sem pesquisa; a pesquisa não nasce informalmente dentro do evento.

04

Guarda, retenção e abertura

O corpus reúne áudio, vídeo, biometria e desempenho individual, com regime definido de guarda, retenção e descarte, e um modelo de compartilhamento que permite abri-lo à comunidade científica preservando os direitos dos titulares.

A regra que governa o conjunto

Se uma medida aumenta muito a exposição do participante e traz pouco ganho real de segurança ou de pesquisa, ela não entra. Se melhora a segurança, reduz dúvida e pode ser explicada de forma transparente, ela merece fazer parte do protocolo.

Autoridade de interrupção: a decisão de encerrar a tentativa por motivo clínico não cabe ao professor: a privação de sono degrada exatamente a capacidade de autoavaliação. Um profissional de saúde designado nominalmente detém essa autoridade, com limiares conhecidos por toda a equipe antes do início.

Resultado

O que existe quando o cronômetro para

Ao final das 80 horas, o que fica não é um recorde apenas. É um conjunto de dados alinhado no tempo: série contínua de sinais fisiológicos, vinte e sete janelas de aferição cognitiva e perceptiva, monitoramento contínuo de glicemia, áudio e vídeo integrais com carimbo de tempo, o log completo da aula com complexidade e método registrados hora a hora, e 385 medições de desempenho da turma.

Tudo ancorado no mesmo relógio, com baseline aferido antes e reaferição nas 72 horas seguintes ao encerramento. É esse alinhamento, e não a quantidade de sensores, que torna as correlações desta página investigáveis.

Contínuo

Séries de sinal

  • Frequência cardíaca e variabilidade
  • Saturação e temperatura periférica
  • Actigrafia e detecção de sono
  • Glicemia intersticial
A cada 3 h

Bateria cognitiva

  • PVT · tempo de reação e lapsos
  • KSS · sonolência subjetiva
  • Stroop · controle inibitório
  • Trail Making A e B · flexibilidade
A cada 6 h

Percepção e função

  • Estresse, humor, foco e motivação
  • Esforço e fadiga vocal + acústica
  • Fadiga visual e ressecamento
  • Dor cervical, lombar e de MMII

Os valores apresentados nesta página são simulados e servem exclusivamente para demonstrar a estrutura da coleta e o tipo de análise pretendida. Após o desafio, os dados reais serão utilizados em pesquisa científica, com rigor metodológico e ética em pesquisa.